PEC Kamikaze: ‘É literalmente tentar comprar votos no último momento’, avalia Traumann

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Apelidada de “PEC Kamikaze” nos bastidores do Congresso, o projeto autoriza gastos de R$ 41,2 bilhões até o fim do mês e prevê a ampliação do auxílio e vale-gás, além da criação de um ‘voucher’ para caminhoneiros e taxistas.

Relator Fernando Bezerra (MDB-PE) no painel do Senado durante a sessão do Senado que aprovou PEC com benefícios sociais — Foto: Waldemir Barreto/Agência SenadoRelator Fernando Bezerra (MDB-PE) no painel do Senado durante a sessão do Senado que aprovou PEC com benefícios sociais — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Para contextualizar a aprovação da PEC a poucos meses da eleição, o jornalista Thomas Traumann faz referência às teorias do economista Milton Friedman, “papa” do neoliberalismo, que associou o termo ‘helicóptero de dinheiro” a políticas monetárias de benefício direto à população.

“É como se fosse jogar dinheiro no helicóptero. É literalmente tentar comprar votos no último momento para ver se vira a opinião dos eleitores”, explica Thomas Traumann, colunista do site Poder 360 e coordenador executivo do MBA de comunicação na FGV, em entrevista ao podcast O Assunto.

Para o jornalista, a pressa dos parlamentares no governo Bolsonaro está em conseguir a reeleição, especialmente após a crise dos combustíveis que levou a troca de presidentes da Petrobras, e que teve impacto direto no bolso dos brasileiros. A proposta analisada pelos senadores é uma substituição da chamada “PEC dos Combustíveis”, que previa uma compensação a estados que zerassem o ICMS, imposto estadual, sobre combustíveis.

“Nesse congresso que está aí hoje, que tomou posse em fevereiro de 2019, 243 políticos eram deputados de primeiro mandato. Foi um cataclismo o que aconteceu na política brasileira em 2018, e os deputados estão com medo.”

Orçamento secreto blindado

Além da hiperatividade do Congresso às portas da eleição, Traumann ainda explica o movimento dos parlamentares para blindar o orçamento secreto, seja qual for o governo após o pleito 2022.

“No Brasil, o orçamento pertence ao executivo, e não legislativo. O legislativo estava tomando do executivo o direito de comandar todas essas verbas. O candidato Lula já declarou várias vezes que uma de suas prioridades, já no início do seu governo, será acabar com esse orçamento secreto e retomar o orçamento para o Executivo. O que Arthur Lira e seus isso sua equipe é eles estão fazendo com essa emenda da blindagem é tornar obrigatório as emendas de relator a partir de 2023 […]”

“No fundo, é um seguro. Caso o Bolsonaro se reeleja, Arthur Lira provavelmente também vai se reeleger nesse caso é presidente da Câmara, e tudo segue como antes. Porém, caso Lula seja eleito, tanto o Arthur Lira como seus aliados tem garantido que as suas emendas serão cumpridas.”

Fonte: G1 | Foto: Divulgação.

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