Artigo | A Origem da Estupidez

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A sensibilidade é construída, essencialmente, na interação responsiva dos indivíduos com seu mundo interior e a sociedade, dito de outro modo, com a capacidade de sentir-se vivo numa (inter)relação sistêmica com o seu semelhante e as circunstâncias históricas, política, social e cultural de ambos, conforme o Aurélio, a faculdade de experimentar sentimentos de humanidade, ternura, simpatia, compaixão, para tanto, o sujeito precisa está disposto a vivenciar tais experiências de reciprocidades sensíveis e constitutivas de subjetividades humanísticas. Determinadas, simplesmente, por preferir cultivar a lucidez e desprezar a estupidez. Os indivíduos, para isso, são dotados de sentidos físicos, de linguagem e de liberdade para sentir e criar realidades (saudáveis ou maléficas) em favor ou contra – si, o outro e o planeta Terra, ou seja, procurar sempre fazer o bem ou tramar, estupidamente, projetos de extinção da humanidade.

E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. Gálatas, 6.9

Segundo o dicionário Dicio, o sujeito estúpido é desprovido de inteligência, isto é, tem dificuldades de refletir questões complexas e propor soluções humanitárias em beneficio do bem comum, os primeiros recursos são sempre a ignorância e o ódio —  o caminho mais fácil. Os líderes políticos, religiosos, executivos entre outros que optam por agir a partir deste ponto de vista, tendem naturalmente ao fracasso, pois a estupidez não cria raízes e não produz frutos, pois o discurso dos insensatos quase sempre encontra adeptos, mas não se ganha nada e, a longo prazo, perde-se tudo, (FRANCISCO, p. 64), permanecendo apenas nas crônicas diárias dos jornais e nos livros de história  como sujeitos maléficos, após deixar marcas profundas dos seus atos insensatos de crueldade  no corpo, na alma e na vida de um povo .

De onde surgem os filhos da estupidez? Do mesmo lugar, onde é gestado o lúcido, o sábio e o sensato  — De um ponto de vista. Nesta perspectiva, há quem prefira olhar a realidade humana a partir do TER e outro com base no SER. Por exemplo: existem líderes políticos que escolhem cuidar da economia em detrimento da população. Outros, então, socorrem primeiro o aflito, dando-lhe pão, peixe e a “vara para pescar”. O próprio Jesus, neste sentido, argumenta: qual pai, dentre vós, se o filho lhe pedir um peixe, em lugar disso lhe dará uma cobra? Ou se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? (LC, 11; 10–12), Ou se pedir um brinquedo, lhe dará uma arma?… A resposta é óbvia: quem escolhe o TER, isso é, um pai terrivelmente estúpido.

Devemos ficar atentos, sobretudo, na formação doutrinária dos indivíduos advindos deste ponto de vista, pois é na origem do seu dizer que podemos identificar os gestos brutos e desumanos que atentam contra à vida e, assim, evitarmos que assumam posições de poderes numa organização, numa religião ou numa Nação e, dessa forma, potencialize a imbecilidade e as maldades. Pois, a partir de sua ideologia, o sujeito fundamenta, responsavelmente, suas práxis e léxicos (atos e palavras), “boas” ou más a favor de si, dos liderados e dos ecossistemas da Terra. Os estúpidos são mestres em arquitetar projetos maquiavélicos de destruição em massa, às vezes, só para o próprio deleite.

Entretanto, assevera Mikhail Bakhtin, viver significa ocupar uma posição de valores em cada um dos aspectos da vida, significa ser numa forma axiológica. (1997, p. 202), ou seja, escolher viver no humanismo ou manter-se neandertal, independentemente, da escolha, ambos serão totalmente responsável por seus atos, omissões e palavras: ditas e não ditas, pois gestos bons, geram gestos bons, gestos maus, geram gestos maus — para todos! Sejamos bons, façamos o bem. Grato!

Prof. ME. Francisco Dias Filho
Articulistas | @Prof_FcoFilho


Referências
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Trad. Maria Ermantina; revisão da tradução Marina Appenzeller. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

FRANCISCO, Papa. Carta apostólica Fratelli Tutti (Sobre a fraternidade e a amizade social). Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html. Acesso em: 22 de outubro de 2021.

 

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